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Referência para os Mamonas Assassinas, Falcão homenageia grupo com regravação de “Jumento Celestino”

Cearense, que chegou a dar autógrafo na cueca do tecladista Julio Rasec, se juntou ao produtor original da banda, Rick Bonadio, para gravação; “Estava devendo isso”, diz ícone brega

Flávio Mantovani*

Em 1994, após uma apresentação numa casa de shows em São Paulo, o cantor cearense Falcão recebeu um grupo de rapazes no camarim.

Os jovens tinham uma banda e disseram que o ícone brega era sua grande referência. Ninguém ali imaginava, mas aqueles garotos se tornariam os Mamonas Assassinas.

No ano seguinte, eles seriam protagonistas de um dos maiores fenômenos da música brasileira na década de 90.

Nessa época, Falcão divulgava O Dinheiro Não é Tudo, Mas é 100%, seu primeiro disco lançado pela BMG e segundo da carreira, que começava, até que enfim, a deslanchar.

Trinta anos após a morte do grupo de Guarulhos, é a vez de Falcão retribuir o carinho. O cearense acaba de lançar uma regravação de “Jumento Celestino”, uma das faixas do único disco lançado pelos Mamonas.

Disponível em todas as plataformas digitais, o single é assinado por Rick Bonadio, o produtor responsável pelo lançamento do grupo. O convite partiu do próprio “Creuzebeck”, com quem Falcão finaliza um disco dentro de uma proposta mais MPB.

Criador e criatura

Era uma cobrança antiga do público, que desde cedo viu a irreverência do cearense refletida no trabalho dos Mamonas Assassinas.

“Quando eles estouraram, eu percebi uma certa influência falconética naquelas músicas, embora eles fossem mais rock n´ roll, enquanto eu fazia um trabalho mais brega”, afirma Falcão ao O Povo.

Mas havia o temor de soar oportunista. Três décadas depois, Falcão sentiu que era o momento certo para a homenagem. “Eu estava devendo isso”, diz.

Jumento Celestino foi uma sugestão de Rick Bonadio. Curiosamente, essa não era uma das músicas preferidas do cearense, que acabou convencido pela expertise do produtor.

E não apenas pelo resultado, que manteve peso das guitarras da gravação original. “Cheguei à conclusão de que tinha a ver comigo porque eu sou nordestino e sempre falo de jumento”, brinca Falcão.

Quem confirma a influência de Falcão sobre o grupo é o próprio Bonadio. “Ninguém melhor que o Falcão, referência pra mim e para os Mamonas Assassinas, pra gravar essa música”, afirmou o produtor no vídeo de divulgação do trabalho.

Essa não é a primeira vez que Falcão e Bonadio se unem em uma homenagem ao quinteto de Guarulhos.

Em 2012, a dupla já havia gravado Renato, O Gaúcho, canção inédita que os Mamonas Assassinas não tiveram tempo de gravar.

Rick Bonadio e Falcão durante participação no programa Altas Horas

Outro encontro

O encontro entre Falcão e os jovens que virariam os Mamonas ocorreu após o primeiro show do cearense em São Paulo.

O espetáculo na extinta na casa de shows AeroAnta foi meio improvisado, com músicos recrutados na cidade, mas recebeu diversas personalidades.

Entre elas, João Gordo, vocalista dos Ratos de Porão, e a equipe da MTV. Todos curiosos para ver de perto o cearense, que começava a despontar na capital paulista.

Mas não foi o único. Houve um encontro posterior num voo, após o estouro do grupo. Falcão se acomodava na aeronave quando começaram a cantar “Ai! Minha Mãe”. Era Dinho e companhia.

Foi nessa ocasião que Julio Rasec pediu um autógrafo na cueca, embora o tecladista ainda vestisse o item no momento em que Falcão colocou sua assinatura. Ouça abaixo a regravação de Jumento Celestino.

*Matéria originalmente publicada em 31 de março de 2026 no site do jornal O Povo. 

 

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