Padre nascido em Óleo é homenageado em centro educacional inaugurado em São Paulo
Padre Chicão, que morreu em 2021, ficou conhecido pelo trabalho social desenvolvido na zona sul da capital paulista
Flávio Mantovani*
A Prefeitura de São Paulo inaugurou no último dia 4 de fevereiro o Centro Educacional Unificado (CEU) “Padre Chicão”, localizado na zona sul da capital.
Com mais de 9 mil metros quadrados de área construída e capacidade para atender mais de 3,1 mil pessoas por dia, a unidade é destinada a atividades culturais, esportivas e educacionais.
O que muitos paulistanos não sabem é que o CEU leva o nome do oleense Francisco Aparecido da Silveira, popularmente conhecido como Padre Chicão.
O sacerdote, que morreu em agosto de 2021, aos 55 anos, em decorrência da Covid-19, foi uma das lideranças religiosas mais influentes da região do Grajaú.
“Reconhecido pela dedicação à vida religiosa, ao trabalho pastoral e à comunicação comunitária, construiu uma trajetória marcada pelo diálogo, pela solidariedade e pela atuação social”, informa a matéria publicada no site oficial da Prefeitura de São Paulo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Ricardo Nunes se emociona ao se referir ao sacerdote, que chegou a receber o Título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo.

Biografia
Filho de Anédio da Silveira e Aparecida Assis da Silveira, Francisco Aparecido da Silveira nasceu em 2 de janeiro de 1966 em Mandaguari, também conhecido como Lajeado, bairro distante 20 quilômetros da sede do município de Óleo.
De família humilde, Padre Chicão trabalhou na roça durante a infância. Aos poucos, o garoto Francisco, que desde cedo demonstrou ser muito religioso, começou a dar sinais de que tinha um dom.
Ainda criança, puxava o terço nos eventos católicos. Participava do grupo de jovens da comunidade, atuava como catequista e frequentava encontros em cidades da região ao lado de amigos do Lageado.
Parecia mesmo destinado ao sacerdócio. “Ele sempre teve vocação”, conta o produtor rural Júnior Valentim, amigo dos tempos de escola no Lageado.
Mas eram tempos difíceis, de muita labuta no campo. Até que Chicão conseguiu ingressar na Escola Apostólica Dominicana, de Santa Cruz do Rio Pardo, quando já tinha por volta de 20 anos. “Ele só não entrou mais cedo porque não tinha condições”, revela o amigo.
Nessa época, Padre Chicão teve atuação marcante na Pastoral da Juventude e comandou um programa radiofônico na tradicional Rádio Difusora, quando ficou conhecido na região graças ao seu carisma peculiar.
Passou pelo convento dos dominicanos em Goiás e Minas Gerais durante os anos 90. De volta a São Paulo, foi ordenado sacerdote em 2003 na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália, na diocese de Santo Amaro.
Vocação pastoral
Padre Chicão atuou em diversas paróquias na região metropolitana de São Paulo. Por onde passava, o sacerdote deixava sua marca registrada: a forte vocação pastoral.
Gostava de estar no meio do povo e era muito querido pela comunidade. Não é pra menos: Padre Chicão tinha um histórico de construir igrejas, de edificar centros comunitários e de trabalhar para melhorar a vida dos habitantes de regiões mais pobres.
Atuou em Parelheiros e em localidades adjacentes da zona sul de São Paulo. Era pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Grajaú, na ocasião de sua morte.
Paixão pelo rádio
Padre Chicão nunca se afastou da comunicação. Mesclava espiritualidade, bom-humor e informação no programa “Recado da Vida”, que ia ao ar pela Rádio Imaculada Conceição, retransmitido para todo o Brasil.
O trabalho começava às 5 da manhã, resquício dos velhos tempos de roça. A audiência era composta principalmente por trabalhadores, que começavam o dia com as reflexões do sacerdote.
Além da oração e da participação dos ouvintes, Padre Chicão convidava o público a meditar o Evangelho do dia.
O trabalho era voluntário. Em entrevista à Milícia da Imaculada, o oleense revelou qual era sua recompensa.
“Não recebo pagamento financeiro, mas recebo muitas graças e bênçãos de Deus e de Nossa Senhora. Isso me basta”, costumava dizer.
*Texto originalmente publicada na edição nº 1606 do Jornal A Comarca de Avaré (SP).

