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Referências da música autoral de Avaré, Claudio Guerra e Joseph Coelho registram legado no álbum “Origens”

Trabalho reúne composições defendidas pela dupla avareense em festivais país afora durante os anos 80, além de canções que fizeram parte do repertório dos antológicos Grupo Avaré e Fruto Primeiro

Flávio Mantovani*

Um sustinho, às vezes, faz bem. Após sofrer um infarto em outubro do ano passado, o cantor e compositor Claudio Guerra decidiu tirar o pé do chão.

Ele e o parceiro Joseph Coelho colocaram em marcha um antigo projeto: registrar as composições que ambos defenderam em festivais pelo interior do país há quatro décadas.

“Acendeu uma luzinha”, afirma Guerra ao Fora de Pauta. “De repente, todo esse legado poderia ter se perdido”.

Um lapso temporal imperdoável, mas talvez necessário para a maturação do projeto.

“Esse disco nasceu nos anos 80, mas só agora ganhou som, voz e alma”, complementa Joseph Coelho no vídeo de divulgação de Origens, álbum recém-lançado no Spotify que reúne as composições da dupla.

Trajetória

Nomes de referência na cena autoral avareense, os primos Claudio Guerra e Joseph Coelho ajudaram a construir a tradição musical que hoje caracteriza Avaré.

A história começa com o Grupo Avaré, que participou de festivais país afora nos anos 80. O nome surgiu quando os avareenses foram defender a música Sonho num evento em Mogi Mirim, em 1982.

“Na hora de preencher a ficha técnica, eu escrevi Grupo Avaré. E assim ficou”, conta Claudio Guerra.

Posteriormente, o destino da dupla se cruzou com o do Fruto Primeiro, outro antológico grupo de Avaré que chegou a gravar dois discos.

Com o conjunto formado pelo músico Juca Novaes e seus irmãos, Claudio Guerra e Joseph Coelho participaram ativamente do efervescente cenário cultural da época. Tocaram em tudo que é canto.

O Fruto Primeiro fez show no Lira Paulistana, no SESC e em outros polos culturais da capital paulista.

Tocou na última edição do lendário Festival de Águas Claras, em 1984, e participou do festival da TV Cultura, onde o Fruto chegou até a final e recebeu o prêmio de melhor grupo da edição.

Essa vivência na estrada desembocou na criação da Feira Avareense da Música Popular (Fampop), festival que Claudio Guerra e Joseph Coelho ajudaram a fundar em 1983 ao lado de Juca Novaes e de outros artistas de Avaré.

Claudio Guerra e Joseph Coelho nos festivais da vida 

Origens

O Fruto Primeiro acabou em 1986, mas todo esse legado está agora devidamente registrado no álbum Origens, que a dupla lançou oficialmente na quinta-feira, 4 de setembro, no Spotify (clique aqui para ouvir). 

São dez canções autorais que remetem não só à juventude dos compositores, mas que, de certa forma, retratam a memória de uma geração.

“Essas músicas revelam de forma muito concreta como víamos o mundo naquele momento”, destaca Joseph Coelho.

Juca Novaes, velho parceiro, faz uma participação especial na música Paranapanema, canção que homenageia Avaré.

A parceria com o Fruto Primeiro, aliás, é retomada em Voou? graças ao auxílio da tecnologia.

A gravação original foi resgatada e combinada com a versão presente em Origens. Com isso, as vozes da dupla se uniram às de Juca, Ize, Maída e Lúcia Novaes, ex-integrantes do Fruto.

“É como se o tempo tivesse se dobrado sobre si mesmo para permitir que todos cantássemos juntos”, avalia Guerra.

Homenagem a Clóvis Guerra

Origens é ainda uma homenagem a Clóvis Guerra (1959-2018), irmão de Claudio que integrou o Grupo Avaré e fez parte da turma que fundou a Fampop, festival que colocou a cidade no mapa cultural do país.

“Ele nos apresentou ao Clube da Esquina e ao que havia de melhor no rock nacional e progressivo”, revela Joseph Coelho.

Nas décadas seguintes, Clovinho se notabilizaria como apresentador de festivais e foi a voz da Fampop até 2016, além de ter atuado como radialista por décadas.

Joseph Coelho e Claudio Guerra durante gravação 

Produção

O álbum Origens foi gravado no Mega Som Studios do produtor Fernando Sanfa, fera da nova geração musical avareense e um dos muitos filhos da Fampop.

Sanfa fez os arranjos, dirigiu os músicos, editou e mixou as faixas. “É o nosso George Martin”, brinca Claudio, referência ao lendário produtor dos Beatles.

Joseph e Claudio fazem questão de dizer que o produtor conseguiu captar – de forma orgânica – a alma da dupla, embora as canções tenham sido compostas há 40 anos.

Um sonho, enfim, materializado. “É um pedaço da nossa história e, quem sabe, também da sua”, conclui a dupla.

Origens contou com a participação dos músicos Watcho Parizze (bateria), Sandro Carvalho (violão e guitarra), Everton Aquino (percussão), Léo Moraes (flauta), Braionsax (sax), Aramis Rocha, Ronaldo Cordas, Robson Rocha, Deni Rocha e Edmur Mello (cordas) e Kiko Stetenpool (sitar), além de Joseph Coelho no baixo e Fernando Sanfa nos teclados e acordeon.

Confira abaixo o vídeo oficial de divulgação de Origens

*Matéria originalmente publicada na edição nº 1586 do Jornal A Comarca de Avaré. 

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